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Nas minhas “Lições Aprendidas”, a mais recente foi, no mínimo, curiosa…

Os processos de “coaching” e treinamentos conduzidos pela Inmind, são muito ricos não só para os participantes, mas para todos nós que os conduzimos: também aprendemos muito com eles!

A recente experiência que eu quero partilhar, é sobre um profissional de muitas habilidades e competências e que, talvez por isso mesmo, tem grandes dificuldades em aceitar qualquer deslize, qualquer erro, que possa cometer.

Em geral, se algo “não dá certo”, a “culpa” é sempre da situação, da outra pessoa ou do acaso… Ele mesmo se vê constantemente no papel de vítima desses cenários adversos e acaba, sempre, se ressentindo por conta de algo ou alguém…

Com isso, passa a restringir suas atividades, adiar suas decisões e oscila entre alienação e ataque em suas interações, especialmente as profissionais.

Nessa última semana, esse profissional entrou em contato com um novo conceito, o “Locus de Controle”, pois teria que fazer uma apresentação sobre o tema. Recorreu a nós para ajudar a construí-la e, juntos, conseguimos reunir um material bastante completo e interessante sobre o assunto.

Quando nos reunimos para desenhar e preparar a apresentação, ele parecia bastante impactado pelo que aprendeu. Como era dele a responsabilidade não só de multiplicar as informações, mas, também, de aplicar os conceitos “no campo”, ele precisava transformar dados em experimentações.

O “mergulho” no material compilado trouxe “insights”: ele percebeu seu modo de agir nas premissas apresentadas… Ele entendeu que não conseguia converter suas experiências difíceis em “lições aprendidas”, apenas em desculpas elaboradas…

Foi mesmo uma descoberta importante: a partir daí passamos a trabalhar as questões da auto responsabilização e do protagonismo, dentro da liderança que ele deveria exercer em seu dia a dia.

Quer saber um pouco mais sobre o tema que fez nosso amigo iniciar seu processo de mudança e crescimento pessoal e profissional?

Lá vai…

LOCUS DE CONTROLE é a expectativa do indivíduo sobre a medida em que os seus reforços se encontram sob controle interno – esforço pessoal, competência, habilidades, etc. – ou externo – as outras pessoas, sorte, chances, conspirações, etc.  (Julian B. Rotter, em 1966 em seu artigo “Psychological Monographs”)

Essas definições têm sido motivo de muitas discussões, mas, a grosso modo, entende-se que, uma pessoa com locus de controle predominantemente externo (LCE), sente que fatores externos têm um controle maior na sua vida, exige mais dos outros, tem uma maior depedência emocional e funcional e são mais afetadas por críticas e elogios.

O contrário é verdadeiro: pessoa com LC interno (LCI), consegue “enxergar” as situações com clareza, seus responsáveis e suas alavancas.

O Locus de Controle refere-se ao modo como uma pessoa percebe a relação entre seus esforços e os resultados de um evento. Caso esta relação esteja clara para o indivíduo, diz-se que ele é LCI. Quando não é e a pessoa passa a responsabilizar outros fatores pelo sucesso ou fracasso de determinada ação, diz-se que é LCE (Wenzel, 1983)

Desse modo, um líder que tem seu LCE, tem muito mais chances de empreender, conquistar, alavancar oportunidades.

Isso nos levou a uma pergunta óbvia: e quem tem LCI, não tem opções de mudança, de desenvolvimento? É condição e traço de personalidade?

A resposta veio de um estudo que considerou como premissa que o LC, ao contrário de sua definição como um traço de personalidade, seria mais bem compreendido como um estado disposicional do indivíduo, que se modifica de acordo com a situação. (Pasquali ,1998)

Assim, e de novo, a responsabilidade volta para o indivíduo, que terá que entender e ultrapassar sua zona de conforto!

Com todas essas informações e muita reflexão, meu amigo passou para um “segundo patamar” na busca de seu desenvolvimento. Estamos trabalhando em um “roteiro de auto responsabilização” que tem dado resultados e provocado nele, muitas alterações posturais.

Não existe “receita”, mas uma série de passos combinados que levam à maior clareza na percepção própria e do meio:

Passo 1 – Busque maior conhecimento de si mesmo: leve em conta os testes que fez, os feedbacks que recebe e, até mesmo, a imagem que projeta no ambiente que frequenta.

Passo 2 – Se as informações acima não parecerem reais para você, trabalhe com hipóteses. Pergunte-se: “Se o que eu ouvi sobre mim fosse verdade, qual o impacto que teria na minha vida? “ “Quais as evidências presentes nos resultados que obtenho?

Passo 3 – Compare sua resposta aos acontecimentos observáveis (evidenciáveis) em seus relacionamentos, interação/comunicações e negociações de forma geral. Faça uma lista (sim e não)

Passo 4 – As evidências são soberanas. Ao invés de tentar encontrar explicações que as invalidem, faça o contrário: compare com seus comportamentos e posturas e como eles poderiam tê-las alavancado.De novo, não procure elaborar explicações: observe e traduza acontecimentos.

Passo 5 – Esse exercício deve ser constante, pois quem tem LCI terá a forte tendência de “esconder” responsabilidades atrás de explicações, complicadas e sinuosas.

Os “insights” e as oportunidades de autoconhecimento vêm de muitas maneiras: fique “ligado” para “pegar o bonde andando e sentar na janelinha”… Você pode e merece!